Total de visualizações de página

domingo, 8 de novembro de 2020

A CIVILIZAÇÃO DO POVO ASTECA

 



       As primeiras culturas mesoamericanas  que se seguiram à maia foram a tolteca e a asteca. Os toltecas, um povo militarista do norte que estabeleceu sua capital  em Tula, foram capazes de fazer coexistir a vida urbana dos povos que conquistavam com elementos de sua cultura tradicional. No centro religioso maia de Chichén Itzá, em Yucatán, ergueram um enorme recinto cerimonial com uma pirâmide  em degraus e um poço sagrado dentro do qual eram jogadas oferendas, como ouro, jade, incenso e seres humanos. Do ponto de vista artístico, os toltecas  eram e nos sofisticados do que seus antepassados maias; os monumentais suportes  do telhado  de um dos templos que sobrevivem em Tula refletem de forma clara a natureza militarista e a religião sanguinária destes povos construtores de impérios. 
     Separados dos incas pela mata fechada do istmo do Panamá, os astecas da América Central controlavam um poderoso império organizado de acordo com regras muito diferentes. ne hum sistema unificado de estradas dos astecas ligava internamente regiões e Estados independentes como os de Tlaxcala e os mixtecas. Apesar disso o Império Asteca era uma potência temível e, da mesma forma que os incas, incorporavam antigas tradições de governo e civilização 
          Montezuma I, ainda que imperador por direito divino, experimentou, no meado do último século de nossa Idade Média, o desejo humano de conhecer o berço natal de seu povo. Convocou os mais vigorosos de seus sacerdotes e os encarregou de perfazer, em outro sentido, o longo caminho percorrido pelos ancestrais, de  encontrar, novamente, Aztatlan. 
          Os sacerdotes, apesar de seus méritos, não puderam ir além de Tula. Entretanto, quando se apresentaram novamente ao imperador, afirmaram que os deuses vieram em seu auxílio, vestindo-os de peles de animais mágicos, o que lhes permitiu verem Aztatlan em sonho...
            Evidentemente que se tratava de uma pura mentira. 
Montezuma I encerrou-se em seu palácio e rememorou a tradição dos antigos, que havia aprendido de cor;  tinha certeza que seu povo viera de Aztarlan (ninho das garças) longe, longe, muito longe ao noroeste do México. Ele descendia em linha reta, igualmente, de um outro lugar chamado Chicomoztoc (As Sete cavernas ou as Sete raças). 
          Segundo a tradição, as grandes famílias  que deixaram Aztatlan eram os Chicimeques (povo do arco e das flechas), os Malinalcas (povo  da erva trançada), os Cuitlahuacas (povo da caixa d'água) os Tepaneques (povo do pallácio ou da pedra), os Matlazincas (povo da rede), os Xochimilcas (povo do campo florido),, os Huexotzinacas (povo do salgueirinho) e os chalcas (povo de jadre). 
          Mas de todos, os favoritos do deus Huit zilopochti eram, ainda, os Astecas. 
         Para prová-lo, o deus tomou cada um deles, friccionou-lhes, com resina, as orelhas e a testa, sobre os quais colocou penachos para designá-los, perante todos, como os filhos de seu povo eleito. Exigiu que mudassem seu nome para "mexicanos", derivado de seu próprio segundo nome, Mexitli. 
           Todas as tribos perambularam juntas longamente, até que, um dia, uma árvore tombou sobre o templo de Huitzilopochtli-Mexitli. Então os Astecas compreenderam o sinal e repararam-se dos outros, exceto dos Chichimeques, e foram em busca do local onde seria edificada a cidade. Longa foi a caminhada, numerosos os obstáculos. Muitos morreram antes de atingir, num primeiro tempo, Tula, a antiga capital dos Toltecas. 
            Maravilharam-se com o que viram. E aprenderam o culto local de Tezcatlipoca, cujo espelho mágico fazia chover à vontade. 
         Falavam aía mesma língua, o nauatle. Foi assim que os viajantes vieram a dsaber que, em 900 d.C, o chefe dos Toltecas, Mixcoati (Serpente-nuvem), procurando uma esposa, encontrou  uma criatura de grande beleza. Foi durante uma caçada que a avistou e perseguiu, atirando flechas para fazê-la parar. Com grande surpresa, porém, viu que a bela se apoderava das flechas em pleno voo. Seu nome era Chimalma (Mão-escudo) e, passando o primeiro espanto, o o chefe a desposou. 
           Um dia Chimalma engoliu, por descuido, um fragmento de jade azul-esverdeado e engravidou, o que, num certo sentido, encolerizou seu senhor e marido, embora a perspectiva de um filho o alegrasse. Entretanto, não teve a felicidade de conhecer essa criança, pois seu próprio irmão, Atecpanecatl (Senhor do palácio das águas) o matou e tornou-se soberano dos Toltecas. 
          A criança recebeu o nome de Topilzin (Nosso Príncipe) e, como nascera no dia de Cecatl (1º caniço), seu nome inteiro foi reconhecido como Ce Acatl Topilzin. Esse príncipe encantador, dotado de grande inteligência, foi educado na escola sacerdotal de Xochicalca onde, ainda hoje, podemos admirar a magnífica pirâmide elevada à glória da Serpente de penas. Topulzin destacou-se por suas excepcionais qualidades e tornou-se o grande sacerdote do deus Quetzalcoatl (A Serpente  de penas). Identificou-se tanto e tão bem com esse deus, que passou a ser conhecido como Ce Acatl Topilzin Quetzalcoatl. 
          Foi  então que se pôs à procura dos restos mortais de seu pai; encontrou-os e deeu-lhes uma sepultura decente, em Cuitlahuac, hoje Tlauac, onde Mixcoatl repousa em paz. Depois de matar  seu tio Atecpanecatl, que fizera dele um órfão, estabeleceu o culto de Mixcoatl, deus caçador, companheiro imortal dos cervos. 
          Transportou, então, seu povo para mais  longe e fundou a cidade de Tula, tornando-a magnífica. Ao mesmo tempo ele adquiria uma reputação de grande sabedoria e santidade. 
           Em sua migração, Ce Acatl Topilzin Quetzalcoatl aceitou a companhia do povo dos Nonoalcas (os surdo-mudos ou os que não sabem falar) de quem, com efeito, ninguém, entre os Toltecas, conhecia a linguagem. Mas não deviam lamentá-lo, pçois esses nonoalcas se revelaram notáveis construtores: em Tula, edificaram templos e esculpiram astátuas magníficas. (Não é impossível que os nonoalcas sejam os sobreviventes do império de Teotihuacan, grande civilização religiosa que precedeu a dos Toltecas). 
         Topilzin guardava em seu coração um fraco por eles, tanto mais que eles adoravam o mesmo deus, o de seus avós, que se tornou o seu e ele mesmo, Quetzalcoatl (A Serpente de penas), enquanto que seu próprio povo, os Toltecas, dedicavam um culto ao deus de seu pai, Tezcatlipoca.
       O príncipe tentou uma reforma, decretando que os sacrifícios humanos fossem abolidos eque as únicas oferendas autorizadas consistiriam  em borboletas, flores e incenso. 
        Isso perturbou muito seu povo, pois sem sacrifícios humanos a chuva talvez não caísse, as colheitas seriam consumidas, o que resultaria na miséria... 
        A preocupação aumentava, mas seu amor  pelo jovem príncipe-deus, piedoso e casto, não mudava. 
           Para tranquilizá-los, Topilzin ia à noite à montanha e tirava sangue das veias com a ajuda  de uma longa agulha, feita com um espinho de cacto. Seus amigos Nonoalcas lhe confiavam extraordinários segredos. Dessa maneira Topilzin pôde ensinar aos vulgares Toltecas como trabalhar o ouro, a prata, usar vestes ricamente ornamentadas e, sobretudo, como fazer crescer algodão e milho de todas as cores do arco-íris. 
            Apesar das maravilhas que lhes ocasionava Topilzin, os Toltecas se recusavam a adorar Quetzalcoatl, pelo menos com deus único. Temiam as terríveis represálias do sanguinário Tezcatlipoca, seu deus tradicional, sedento de sangue humano dos sacrifícios que Ce Acatl Topilzin Querzalcoatl lhe recusava havia tanto tempo. A preocupação se apoderou deles de tal maneira, que começaram a conspirar contra seu encantador príncipe-deus. 
         Durante esse tempo, Tezcatlipoca  se aliava a dois outros deuses domal e multiplicavam  os sortilégios para forçar Topilzin a deixar Tula. 
       Cega mesmo a entrar na câmara obscura  do templo onde o jovem príncipe-deus  estava em oração. Ele estendeu um espelho mágico que inventara. do-se nele, Topilzin Quetzalcoatl viu um abominável velho enrugado e teve medo: 
            - Se os meus me vêem assim, fugirão. 
       Para acalmá-lo apareceu a divindade maléfica Coyotlinahual (Feiticeiro-coiote) e disse-lhe: 
           - Vou te ajudar a aparecer diferente. 
            Em seguida o disfarça com uma máscara de tintura vermelha e penas. 
       Durante esse tempo, o terceiro deus mau Lhuimecal preparou, em sua caldeirinha infernal, um grande pirão de tomates, pimentão, cebolas, chile, milho e feijão. Misturou tudo num vaso de barro, acrescentando mel selvagem com pulque, álcool terrivelmente embriagador. 
           Convidado a jantar pelos três deuses, Topilzin Quetzalcoatl, por delicadeza, provou o pirão, decidido, no entanto, a não beber. Apenas o prato estava de tal maneira picante, que não pode comer. Molhando um dedo na bebida, passou-o sobre os lábios irritados. Depois, com os quatro dedos, repetiu a operação. A seguir, usando a mão em conha, bebeu avidamente...
          Levantou-se, dançou e eufórico pediu: 
           - Vão procurar minha irmã, a adorável Quetzalpetlatl, (Trança de penas), para que bebamos juntos... 
           Quando despertou, muito mais tarde, sua irmã repousava despida a seu lado, cabelos despenteados... Topilzin Quetzalcoatl, horrorizado, compreendeu que, durante a embriaguez, perdera sua castidade e com ela sua dignidade sacerdotal. 
          Chorando, o príncipe-deus fugiu, rodeado  de seus fiéis Nonoalcas acabrunhados. Exilou-se em Cholula, no atual Estado de Publa. Aí passou, dizem, uma vintena de anos. Depois, transportou-se com seus sacerdotes à atual região de Vera-Cruz, em Coatzacoalcos. Lá, ouviram-no ensinar sua doutrina até o dia em que, anunciando sua nova partida, prometeu: 
           - Voltarei pelo lado onde nasce o sol, na data do meu aniversário, Ce Acatl...
           As crônicas maias ensinam que Topilzin  Queatzalcoatl perambulou pela região entre o ano 987 e 1.000, sobretudo em Tillan Tlapallan. Viram-no instalar-se em Mayapan e Chichen Itza, onde o chamaram Kukulkan. 
           Passou, então, à lenda. 
      Sim, convém dizê-lo, pois daí por diante as versões variam. Uma afirma que foi lançado numa enorme fogueira funerária em Tlatayan. Uma imensa fumaça negra se elevara depois, transformada em pássaro maravilhoso de plumagem resplandescente... Outra afirma que se lançou ao mar sobre uma grande jangada formada de troncos reunidos. cujos liames eram serpentes enlaçadas.
          Mas os Astecas, recém-chegados à Tula abandonada, pretendem saber que Topilzon Quetzalcoatl partiu para o planeta Vênus, que chamam  Tlahuizcalpantecuhtli (Senhor da casa da aurora), também chamado estrela da manhã, planeta mãe, aquele de onde vem homens e deuses. 
              Seja como for, uma coisa é certa, impressionante: Toplzin Quetzalcoatl despareceu na data de Ce Acatl, prometendo voltar na mesma data, em outro ano. 
            Ora, quando muito mais tarde o calendário trouxe novamente a data de Ca Acatl e pelo menos oito presságios anunciaram um acontecimento fulminante, Fernão Cortês, adversário também dos sacrifícios humanos, desembarcou no México...
             Depois que Tipilzin Quetzalcoatl desapareceu no infinito invisível e se foi, banido de Tula, os soberanos que lhe sucederam evitaram a intimidade com os deuses, contentando-se em guerrear. Em compensação, sacrificavam voluntariamente ao culto da personalidade, mandando erigir estátuas sob diferentes aparências, dando, no entanto, a preferência àquela que traz entre as mãos um atlatl, bastão propulsor de flechas ou de dardos comprimidos, próprio dos astecas, a quem se lhes atribui a invenção. Eles reconquistaram o velho império de Teotihuacan e ocuparam todo o México Central. Sua influêncxiase exercia até à atual Vera-Cruz ao norte e ao atual estado de Guerrero do Sul. 
        
          A história do Estado asteca começa em 1345 com a fundação de sua capital, Tenochtitlán, em uma ilha pantanosa no lago Texcoco.
        Para compreender seu nascimento, devemos nos reportar à queda da grande cidade de Teotihuacán no século VIII d.C., fato que deixou um vazio de poder na América Central. Aproveitando-se disto, várias tribos bárbaras desceram a partir de suas terras desérticas no noroeste do México. As de maior êxito foram os toltecas, cuja expansão deveu-se a uma operação militar organizada. Seu Exército sustentava-se confiscando excedentes de alimentos de acordo com um primeiro sistema tributário. Os toltecas adotaram o sistema de vida urbana dos povos que conquistaram, porém, respeitavam elementos de sua própria cultura tradicional. Na capital tolteca, Tula, fundada ao redor do ano de 950, foi reconstruída a pirâmide de degraus de Quetzalcóatl com o estilo característico de Teotihuacán. Inclusive Quetzalcóatl, a Serpente Emplumada, era um deus adotado pelos toltecas da região primitiva de Mesoamérica.   
        Os toltecas introduziram um novo militarismo na civilização da América central. Isto este associado às mudanças religiosas sanguinárias que continuariam na época asteca. A tradição diz que, ao redor de 987, o culto de Quetzalcóatl   foi proibido em Tula e seu líder, Topiltzin, banido. Dizia-se que Topiltzin havia zarpado  com seus seguidores do Golfo do México, para fundar novamente o centrocerimonial em Chichén Itzá, no Yucatán Setentrional. O exílio de Quetzalcóatl, que representava o poder teocrático tradicional, foi obra dos seguidores  de um deus das tribos tolteca, Tezcatlipoca, senhor da vida e da morte, amo dos feiticeiros e protetor das ordens guerreiras das águias, onças e coiotes. Tezcatlipoca personalizava o poder secular, sedento de sangue, e pela primeira vez na Mesoamérica outorgava-se grande importância aos sacrifícios humanos. Acreditavam que, ainda que   os dias da Criação estavam contados, o fim podia ser adiado festejando aos deuses com alimento sagrado sob forma de sangue humano e corações. Desta forma, começou uma orgia de sacrifícios humanos que persistiria na América Central por mais de 500 anos. 
    O Estado tolteca durou poco mais de 200 anos, e Tula foi vencida pelos chichimecas ao redor do anos de 1170. O fato sucedeu a um outro período de confusão e conflitos destruidores onde pequenas Cidades-Estados lutavam umas contra as outras pela hegemonia política e militar. A esta terra convulsionada chegaram os astecas. Enquanto a Europa lutava contra as garras da Peste negra, os astecas construiríam sua capital,Tenochtitlán, e, sob influência da vizinha Cidade-Estado de Azcapotzalco, transformava-se de uma tribo semicivilizada a uma organizada e poderosa Cidade-Estado. A verdadeira expansão militar começou com a formação da Tríplice Aliança entre Tenochtitlán e as Cidades-Estados circundantes de Texcoco e Tlacopán e, no ano de 1428, sob seu primeiro e grande governante Itzacóat (1427 - 1440), os astecas derrotaram e conquistaram Azcapotzalco. Eles conseguiram controlar as cidades que pagavam tributos ao inimigo vencido e, em 1520, ocuparam o litoral do Pacífico e o golfo na América Central, dominando os territórios até a Guatemala. 
            A sociedade asteca estava liderada por um sacerdote-rei educado, como toda a nobreza, no exclusivo colégio de Tenochtitlán. Era eleito entre  os membros da família real, por um conselho de nobres, sacerdotes e guerreiros que se consideravam como o povo eleito que preservava as tradições dos toltecas. O Estado asteca era um regime militarista com um enorme e bem equipado exército profissional, dedicado às conquistas de territórios e, o mais importante, a cobrança de impostos. Para Tenochtitán eram enviados ouro, algodão, turquesa, plumas, incenso e grande quantidade de alimentos que foram registrados em listas detalhadas de tributos. No entanto, para os astecas o tributo mais significativo obtido dos povos vassalos traduziram-se no grande número dee prisioneiros destinados ao sacrifício na capital. O principal motivo do militarismo asteca era a necessidade diária de vítimas para o Deus Sol, Huitzilopóchtli. Damesma forma que o deus tolteca Tezcatlipoca, este requeria ser alimentado com sangue humano para impedir o fim do mundo. 
             Finalmente, a sede desangue não pode ser saciada e o Império Asteca, assim como o Inca, encontrava-se em dificuldades quando os primeiros soldados espanhóis chegaram, no ano de 1519. O imperador esteca reinante, Montezuma II, temia que os barbudos e pálidos estrangeiros chefiados por Hernán Cortês fossem Quetzalcóatl e seus seguidores retornando, de acordo com a antiga profecia, do exílio imposto pelos toltecas há tantos séculos. Este Temores foram reforçados por fenômenos da natureza e pela rápida propagação de doenças infecciosas trazidas pelos europeus.  





sábado, 7 de novembro de 2020

A HISTÓRIA DO IMPÉRIO INCA

 



          O império inca, o maior de todos Estados pré-colombianos, atingiu a maturidade em menos de um século. Ao redor do ano 1300, a tribo instalou-se num vale no alto dos Andes peruanos, ode estabeleceu sua capital, Cuzco. Inicialmente era apenas um grupo entre muitos, envolvidos em constantes conflitos de pouca importância, e foi somente em 1438, quando o Inca Pachacuti subiu ao trono, que se implantou o estrado inca fortemente centralizado e conquistador de vastos territórios. 
        O Império Inca  baseou-se em antigas tradições de Estado e civilização do Peru. A primeira civilização andina, chavin, havia sido fundada ao redor de 2.500 anos antes, sendo sucedida por um caleidoscópio de cidades e povos. Entre os anos 500 e 1.000 surgiram dois impérios que dominavam a maior parte dos Andes centrais e meridionais e parte do litoral. O primeiro deles teve o nome de sua capital, Tiahuanaco, uma populosa cidade localizada no desolado altiplano da Bolívia, centro de peregrinação dos Andes. O segundo império, Huari, estava radicado mais ao norte. Ambos impérios administravam seus extensos territórios dos centros criados de forma planejada, onde funcionários do governo supervisionavam as grandes obras públicas realizadas pelos habitantes como forma de tributo. Os incas foram eficientes na aplicação desses sistemas de administração. 
               Os incas também apreenderam muito da magnífica civilização chimu, que dominou o litoral norte do Peru a partir do ano 700 até sua derrota pelos incas em 1476. Os incas adotaram a eficaz política colonial e a rede de comunicação dos chimus, assimilando suas técnicas de fundição de metais, os têxteis e a produção massiva de cerâmica. 
           Nenhum destes impérios primitivos igualou os incas em tamanho, No apogeu, entre os anos 1493 e 1525, o Império Inca abrangia uma área de aproximadamente 3.500 quilômetros de comprimento, penetrando no interior, desde o litoral,uma média de 320 quilômetros. Os êxitos militares incas deviam-se ao treinamento de jovens nobres, nos quais se inculcava atividades belicosas,  e a existência de um exército permanente que podia atingir depressa todas as comarcas do império. A extensa rede de caminhos permitia que as notícias viajassem rapidamente, facilitando também às tropas chegarem nos lugares conflitivos com um mínimo de demora. Os incas desenvolveram grandes estradas no litoral e nas montanhas unidas por caminhos interligados, totalizando aproximadamente 40 mil quilômetros. Apenas os viajantes oficiais podiam usar os caminhos e abrigarem nos mais de mil tambos ou refúgios de descanso distanciados a intervalos de um dia de viagem. Muitos caminhos tinham apenas um metro de largura, adequados somente para pedestres e lhamas com carga, ainda que os principais caminhos atingiam 16 metros de largura para permitir a passagem dos exércitos. As mensagens eram levadas pelos shasqui, corredores de revesamento que podiam cobrir cerca de 250 quilômetros  por dia; cada homem corria dois ou três quilômetros, e então passa para o seguinte. Os caminhos eram construídos à base de trabalho obrigatório denominado mita; escavavam-se  túneis através de despenhadeiros, as estradas  eram construídas cruzando pântanos e precipícios, ligando-as através de pontes suspensas de pedra ou de madeira de até 70 metros de comprimento.
              Estes caminhos também eram utilizados para o transporte de grandes cargas transportadas nas costas dos homens ou sobre o lombo de lhamas até os depósitos regionais de alimentos. Em Huanuco Pampa os celeiros podiam conter 36 milhões de litros de grãos, e muitas dessas cidades eram centros de produção industrial onde grandes fábricas de tecidos e de cerâmica produziam em larga escala artigos altamente padronizados. Havia pouco espaço para criatividade individual. A cerâmica inca, por exemplo, mostra pouca variação na forma ou decoração, pois é normalmente adornada com desenhos geométricos pintados em intervalos regulares. As ferramentas de metal e pedra, os adornos metálicos, tais como pequenas figuras de homens e animais, e os desenhos têxteis eram todos similares a uniformes.
            À medida que Império Inca se ampliava, foram construídas novas cidades nas áreas recém-conquistadas. Os administradores locais impunham impostos de aproximadamente 66% sobre os produtos agrícolas e objetos elaborados, tais como tecidos e cerveja de milho. Também utilizaram o trabalho forçado, ou mita, em projetos de construção de caminhos, sistemas de irrigação e esgoto, construção de plataformas agrícolas, trabalhos de extração em pedreiras e minas, bem como na construção de cidades e de imponentes fortalezas estatais. 
              É surpreendente que essa complexa burocracia não tivesse alguma forma de escrita. Os registros eram mantidos em quipus, pedaços de barbante com laçadas em intervalos significativos, feitos por um funcionário específico, o quipucamayoc.  Estes registros  de impostos eram baseados num sistema decimal de cálculo, porém podem ter servido também como um "lembrete" para informação de caráter histórico e cultural. 
            A hierarquia social estritamente regulamentada do Estado inca tinha forma piramidal. Na cúspide estava o "Zapan Inca", chefe absoluto em assuntos políticos, religiosos e militares. Acreditava-se que o Zapan Inca descendia do deus Sol, a principal divindade inca. A aristocracia, essencialmente parentes do Zapan Inca, ocupava cargos de conselheiros e governadores provinciais. A deidade mais importante era Viracocha, o Deus criador. Os funcionários de menor categoria eram responsáveis em última instância perante o Zapan Inca através de representantes da categoria imediatamente superior, o que garantia o controle em todos os níveis da sociedade. Na base estavam os camponeses, cuja laboriosa agricultura de irrigação constituía o fundamento econômico do Estado inca e que continuavam adorando espíritos locais de mananciais e pedras sagradas junto com o culto oficial inca ao Sol. 
          O sistema padecia de dois defeitos graves: em primeiro lugar, sem uma cabeça efetiva, o Estado se desintegraria, já que não havia nenhuma coesão entre as classes da sociedade; em segundo lugar, não existia uma linha bem definida de sucessão ao trono. Para desgraça dos incas, a chegada de Francisco Pizzaro em 1532 coincidiu com uma disputa de sucessão no Império Inca, permitindo que os espanhóis capturassem o Zapan Inca em uma armadilha. Rapidamente o Império Inca foi desestruturado, os templos foram despojados de seus ornamentos e o sistema social e político andino, que evoluíra por 5 mil anos, recebeu um golpe mortal  do qual nunca se recuperou.
.
         A lenda conta que, após o dilúvio andino, o  Sol pousou seu primeiro raio no lago Titicaca. E foi no dedo do Sol levante que cresceu subitamente a pitoresca e silenciosa armada de centenas de balsa de totora de canas secas como ouro, atadas em longos feixes fusiformes, com a popa e a proa erguidas como uma ponta de tamanco. O vento do lago sopra as altas velas da embarcação de junco. Na frente, um navegador aborígine, com um poncho vermelho, mantém-se em pé, com uma percha comprida na mão para dirigir a embarcação. Agachada atrás, sua companheira fia a lã de lhama em um fuso de madeira. Às vezes uma lhama lhes serve de escolta a bordo, com um floco de lã rosa-vivo em cada orelha."
          "Manco Capac e mama Ocllo vêm do leste, da ilha do Sol, ao coração do lago sagrado, fiéis à tradição. No cais, sempre mudos, inalteráveis como sonâmbulos, os índios contemplam os grandes personagens de sua gênese, com uma coroa de ouro enfeitada de penas na cabeça e um disco solar em ouro resplandescentes no peito. Os semideuses finalmente chegaram!"
            Esta reconstituição popular da lenda de Manco Capac apoia-se em uma das versões do mito da fundação do império, que nos foi dada por Garcilaso de la Vega, no Capítulo XV do livro I de seus Comentários Reales de los Incas: "Nosso Pai, o Sol", diz o cronista a seu tio, um velho nobre inca, "vendo os homens tal como eu lhe disse, teve piedade deles e encinou do céu à terra um filho e uma filha para que os instruíssem no conhecimento do Nosso pai, o Sol, para que o adorassem e o considerassem como seu deus e para que lhes dessem preceitos e leis, a fim de que vivessem como homens racionais e civilizados (...). Com estas ordens e instruções, Nosso Pai, o Sol, colocou seu filho e sua filha no lago Titicaca, que se encontra a oitenta léguas daqui (Cuzco), e disse-lhes para ir onde quisessem e que, onde parassem para comer e dormir, tentassem enterrasse no solo uma barra de ouro de meia túesa de comprimento e dois dedos de espessura que ele lhes deu como sinal e prova de que, onde a barra fosse enterrada pela primeira vez, seria lá que Nosso Pai, o Sol,  queria que eles se instalassem". 
              Devido à leitura de  alguns relatos, numerosos historiadores perguntaram-se até se os primeiros soberanos do Império Inca eram personagens míticos. Sem dúvida, a história dos primeiros incas oferece-nos ainda sérios problemas, pois os acontecimentos transmitidos pelas crônicas não são sempre atribuídos aos mesmos soberanos. Mas deve-se daí deduzir que Manco Capac e seus sucessores diretos não existiram? 
        Sabemos que,desde Manco Capac, doze incas subiram ao trono e que os dois últimos, Huascar e Atahuallpa, reinaram ao mesmo tempo. Sabemos igualmente que uma geração de soberanos equivalia, então, aos uns vinte anos. Foi assim para os onze reis da França que se sucederam de  Filippe II, coroado  em 1270, a Carlos VIII, morto em 1498. Podemos, então, deduzir que o império |Inca foi fundado por volta do ano 1300. 
             Um certo número de relatos nos permite levantar o véu que a tradição incaica mais oficial lançara sobre a verdadeira ascendência de Manco Capac. Em 1542, o padre Cristóbal de Molina colheu o testemunho de dois quipucamayoc, os "escribas" dos quipu, Collapina e Supno. Escreve o padre: "Eles disseram que seus pais e avós, grandes quipucamayoc, contaram a seus filhos e netos, recomendando-lhes segredo, que Manco Capac era filho de um curaca".ç
            Evidentemente esta verdade não convinha ser dita em um império onde o sagrado ocupava um lugar importante e onde Manco Capac só representava plenamente seu papel de arquiteto primordial, sendo um semideus, filho do Sol. Apesar de seu caráter lendário, estas narrações são por demais precisas para terem sido totalmente inventadas. 
            Nas montanhas, a uns cinquenta quilômetros de Cuzco,numa gruta designada pelo nome de Pacaritambu, que se encontra o Manco Copac da tradição inca, com seus três irmãos e quatro irmãs, à frente de dez tribos leais.  De fato, não sabemos se estes oito personagens - talvez mais numerosos - eram realmente irmãos e irmãs. Este parentesco pode muito bem significar que nosso heróis pertenciam simplesmente à mesma raça. E não é surpreendente que estes sobreviventes de Tiahuanaco tenham levado o título de ayar. Este termo que, segundo Garcilaso de la Vega, "não tem nenhum sentido na línguageral do Peru", insto é, em quitchoua, e que "devia tê-lo na língua particular dos incas", apresenta surpreendentes similitudes com a palavra escandinava yarl, que quer dizer conde, e que "pronunciada por um índio", diz Jacques de Mahieu, "soaria como ayar, exceto no aumentativo".
          No caminho de Cuzco, os quatro imrãos não tardariam a brigar. Ayar Cachi, que tinha poderes sobrenaturais, dizem, foi atraído por seus três iemãos a uma caverna cuja entrada foi imediatamente obstruída por grandes blocos de rocha. Ayar Uchu foi deixado para trás para servir ao Sol, mas o mito contanos que foi transformado em pedra na montanha Huanacauri. Ayar Manco e Ayar Auca, os dois sobreviventes, instalaram-se em Cuzco, onde o segundo,por sua vez, morreu logo depois. Como único chefe que restou, Manco mandou primeiro construir cabanas com teto de palha, na confluência do Huatanay e do Tullumayo, a cerca de um quilômetro e meio da colina escarpada na qual foi construída, bem mais tarde, a cidadela de Sacsahuaman. O local era tão pantanoso e insalubre, por os rios de verdadeiras torrentes transbordavam frequentemente. Mas era a vontade do deus Sol. Foi lá, portanto, que construíram em pedras o primeiro edifício, que, servindo também de santuário, recebeu o nome de a Casa do Sol. 
             Os primeiros incas eram também camponeses, que só pegavam em armas para defender suas terras e para se apropriar das dos outros. Organizaram-se,como os índios, em comunidades que chamaram igualmente de ayllu. O território desta comunidades, essencialmente agrárias, chamava-se marka e sua proteção era assegurada por uma pequena fortaleza situada em um ponto elevado próximo ao vilarejo, a pucara.
             As nações formavam o segundo nível da organização social indígena, e contavam com número variável de ayllu.  Estas unidades maiores podiamreagrupar-se, segundo critérios étnicos, sob a forma de federações de caráter mais ou menos monárquico. Algumas correspondiam a grupos étincos que ocupavam dezenas de milhares de quilômetros quadrados. Outras correspondiam somente a tribos que habitavam um pequeno vale. Os "lupaka", por exemplo, constituíam um verdadeiro reino que se estendia sobre toda a margem ocidental do lago Titicaca, desde o golfo de Puno até a baía de Guaqui, e que possuía mais de cem mil habitantes no começo do século XVI. este reino, cuja influência propagava-se em todos os Andesmeridionais, era formado pelo reagrupamento de seis nações (Zepita, Ynguyo, Pomata, Juli, Llave e  Acora), sob a autoridade de um curaca de uma sétima(Chucuito).  A maior das nações (Juli) possuía vinte e sete ayllu, e a menor (Yunguyo), seis. 
            A chegada dos incas e sua atitude nitidamente expansionista levaram estes "reinos ou principados"a colocar um fim às eternas guerras, pelas quais disputavam os territórios e os pastos, e a reagrupar-se sob a fomrma de confederações provisórias ou permanentes. A dos Collas, no lago Titicaca, e a dos Chancas, a oeste de Cuzco, não tardariam a causar graves dificuldades aos recém-chegados e a conduzi-los, às vezes contra sua vontade, a guerras longínquas que nem sempre tinham premeditado.
          Com mortes e sucessões, as organizações sociais foram, muitas vezes com guerra, ampliando as leis e formas de viver de todos os incas. 
            Pachacutec foi, sem dúvida nenhuma, um dos soberanos mais importantes do império inca. Sua obra, ao mesmo tempo militar, política, jur´[idica, social e religiosa, valeu-lhe o título de "Reformador do Mundo".  Ele dedicou-se a recolocar em ordem completa a ideologia cuzquiana, sobretudo em matéria religiosa. Tratava-se antes de tudo de redefinir as relações entre o deus Sol e Viracocha, duas divindades do império, que narrações mitológicas mal-esclarecidas colocava, às vezes, como entidades rivais. 
           A ideologia incaica, assim reestruturada, iria ritualizar e desvitalizar as brigas de família. Um novo grupo de sábios, sacerdotes e educadores, os amauta, tomariam o lugar da velha casta sacerdotal do Hurin. 
            Pachacutec empreendeu igualmente a reconstrução e o embelezamento de Cuszco. " os amauta,especialistas em arquitetura, os agrimensores sayu-choctausuyoc e as corporações interessadas em urbanismo, fizeram um plano em relevo da futura cidade. Construções como o palácio de Roca e de Viracocha, a escola de administração e o convento das Mulheres escolhidas seriam conservadas e o templo do Sol aumentado. Mas a maioria das outras casas deveriam ser demolidas. Pachacutec aceitou os projetos e, para facilitar a tarefa dos construtores, mandou expulsar o habitantes cuja presença não era absolutamente necessária, mas não os deixou desabrigados, foram instalados nas circunvizinhanças. Cinquenta mil trabalhadores foram empregados inicialmente na obra,  mas o nome de seus mestres permanece desconhecido. 
             O empreendedor inca mandou também construir a famosa fortaleza de Sacsahuaman, e continuou a desenvolver a rede de estradas. 
              É talvez a Pachacutec que se deve também a misteriosa cidade perdida dos incas, tão conhecida do mundo atual chamada de Machu Picchu. O nome Machu Picchu quer dizer velho pico.
              Mas nem todos os historiadores concordam em atribuir  a construção de Machu Picchu ao inca Pachacutec, visto que o caráter grandioso do lugar inflamou  a imaginação dos amantes do fantástico e de alguns pesquisadores pouco escrupulosos. Se a arqueologia só nos informa poucas coisas, a História talvez nos permita ver mais claro. É no reinado de Pachacutec que o império enfrenta, pela primeira vez, os povos selvagens do Estado e ergue, na fronteira oriental, uma série de fortificações da qual Machu Picchu  aparece como um dos elos. Certamente  a cidade não é, a bem dizer, uma cidadela, mas sua localização e disposição garantem-lhe uma segurança quase total. Várias entrada ligan-na a diferentes  fortins que os incas haviam plantado nos pontos elevados da vizinhança.
           Manuel chaves Ballon, que foi encarregado dos trabalhos de restauração de Machu Picchu, acredita que a cidade "foi começada sob o governo de Pachacutec e jamais terminada". 
              Após o reinado de doze incas, Viracocha, que era o mais supersticioso, já tinha uma previsão em relação à invasão dos estrangeiros que nunca tinha visto, mas cuja força mágica pressentia, é reveladora do estado de espírito de uma fração, pelo menos, da aristocracia inca. Tudo se passa como se a reforma religiosa de Pachacutec, em favor do Deusa-Sol, não tivesse conseguido prevalecer sobre a memória coletiva dos incas, sempre habitada pela aparição do deus-herói  Viracocha. Quando já estava tomado pela doença, o soberano reuniu sua família e os altos dignitários para lhe dizer:  
             "-Nosso Pai, o Sol, revelou-me que após o reinado de doze incas, seus filhos, aparecerá neste país uma espécie de homens que nops são desconhecidos e que devem dominar nossos Estados. Eles pertencem sem dúvida ao povo daqueles que vieram outrora do mar... Estejam certos de que estes estrangeiros chegarão  a este país e cumprirão o oráculo!"
               Foi Gracilaso de la Vega, o semi-inca de raça real, que nos transmitiu esta revelação. 
               A exploração da costa do Pacífico do istmo do Panamá progrediu lentamente na década posterior ao seu descobrimento por Balboa. A expedição que chegou mais longe - a de Gaspar de Espinosa, que explorou por terra e por mar até Punta Burica em 1519 - dirigiu-se ao norte. Como as expedições realizadas em direção ao sul, até o "Mar do Sul", por ordens de Balboa, em 1514, 1515 e 1517, conseguiram tão pouco. Pascoal de Andagoya declarava em 1522 que "esta terra nunca foi vista, nem por mar nem por terra, desde o Golfo de São Miguel em direção ao sul". Andagoya era lugar-tenente de Pedrarias Dávila, que substituiu Balboa e mandou executá-lo. Portanto, tinha um interesse pessoal em eliminar os méritos de seus predecessores e atribuir-se a honra de apoderar-se das primeiras notícias da existência do Peru. Sem dúvida, os termos pelos quais posteriormente recordou a tarefa que lhe dera Pedrarias em 1522 - descobrir a maior parte do Peru e a costa além do Golfo de São Miguel - talvez revelem somente a influência de uma memória retrospectiva. A viagem de Andagoya em 1522, feita por conta própria, foi a primeira na qual se informa de "uma província chamada Biru" e inspirou diretamente a conquista de Pizarro. Parece improvável que seu Biru fosse o grande Império de Tahuantinsuyu, ao qual se deu o nome de "Peru".Entretanto, é possível que a expedição de Andagoya se aventura no coração do que é na atualidade a Colômbia. 
          A longa história da assimilação do Biru e Tahuantinsuyu, e da transformação de ambos no denominado Peru, começa na verdade com a formação de uma companhia do Panamá em outubro de 1525 para seguir o rastro da informação de Andagoya. Os recursos foram imobilizados em segredo por Gaspar de Espinosa, que se apoiou em um sacerdote, Ernando de Luque, como seu titular. Os sócios ativos eram Diego de Almagro e Francisco Pizarro. Ambos eram filhos ilegítimos, o primeiro, um aventureiro que se converteu em um soldado desertor e aos 15 anos; o segundo, um veterano do grupo de Balboa. A necessidade dos sócios de obter fama e dinheiro ficou evidente e claro nas exigências que fizeram à coroa. Estas foram satisfeitas ao estabelecer-se que, ao conquistador do Peru, Luque seria bispo; Almagro, um governador "nobre de estabilidade reconhecida" e o iletrado Pizarro, "governador, capitão-geral e colonizador". 
            Antes de obter estas atrativas promessas, Pizarro e Almagro tiveram de sofrer penúrias e privações inconcebíveis durante os três anos de viagens preparatórias de exploração, a partir de dezembro de 1524. 
               
.
      há 25 de setembro de 1513, após abrir caminho através da floresta panamenha com sua pequena tropa armada. Vasco Nuñez de Balboa cravou a bandeira de Castilha nas areias do Mar del Sur, o mar desconhecido que Magalhães chamaria de Oceano Pacífico. Entre os poucos exploradores distinguira-se um modesto oficial, de 38 anos, quase quase analfabeto, Francisco Pizarro.  
          A morte e o sofrimento eram a sorte cotidiana destes aventureiros do Novo Mundo, mas nada poderia detê-los. Fascinados pelo enigma dourado do continente índio, estes conquistadores um tanto rudes estavam certos de ter o Eldorado na ponta de suas espadas. Estavam prontos a suportar as pieres tormentas, a massacrar e saquear impiedosamente, a avançar "a alma entre os dentes", como se dizia. Personificavam um espírito de conquista que, mais tarde, foi muito criticado nos salões da sociedade mais culta. Mas, naquele momento, eles estavam dispostos a enfrentar qualquer risco para atingir seus objetivos nada civilizados. 
             Desde que os espanhóis pousaram lá a primeira bandeira, o Panamá tornou-se um grande burgo. Era a capital da Castilla de Ouro, uma colônia que não justificava seu nome, pois das cinquenta caravelas que, cada ano, levavam a Sevilha o ouro do Novo Mundo, muito poucas procederam desta região inospitaleira, sem lenda nem riquezas. 

            Em 1524 Pizarro arquitetou novos planos. Este capitão de cinquenta anos, de barba negra e ambições desmedidas, tinha como amigo um oficial menor, plebeu, analfabeto, igualmente abandonado pelos pais nas escadarias de uma Igreja, em Nova Castilla chamado Diego de Almagro. Ambos, cansados da vida sedentária que levavam há alguns meses, ouviram com paixão as narrações de Pascual de Andagoya, o primeiro a empreender expedições em direção ao sul do continente. Trouxe também algumas histórias maravilhosas sobre uma região longíqua que se chamava Pirú, onde onde vivia uma grande população cujo príncipe acreditava-se de origem divina, e cujos palácios, dizia-se, eram tapetados de ouro. O próprio Pizarro havia encontrado, alguns anos antes, um jovem índio que lhe indicara o sul com a mão direita dizendo: "Conheço um país onde se bebe e se come em vasilha de ouro!".    
           Oito meses mais tarde, dois barcos de pequena capacidade retornavam ao mar com cento e sessenta homens e alguns cavalos. Pizarro desembarcou na embocadura do rio San Juan, na costa da atual Colômbia. Enquanto almagro retornava ao Panamá para procurar reforços, o piloto Bartolomeu Ruiz recebeu ordens de continuar sua rota com a segunda caravela a de atravessar o Equador, 700 quilômetros ao sul. 
            O primeiro contato com a civilização Inca ocorreu quando um marujo gritou: - Hai mujeres! Ele avistou algumas mulheres que estavam à bordo de uma  rústica que uma grande vela, enfunada pelo vento naquele local. Com uma manobra o navio aproximou-se desta surpreendente jangada, formada de enormes troncos de árvores, brancos e lisos, amarrados com cordas. Na parte traseira, elevava-se um camarote de bambu e uma cabine de juncos. 
           Havia realmente mulheres a bordo, e também ouro e prata, em resumo, do que se satisfazer um conquistador. Os peruanos, mais assutados que os espanhóis, deixaram-se abordar. O piloto ordenou jogar ao mar os mais recalcitrantes e oferecer aos outros algumas bugigangas. Algumas semanas mais tarde, um relato inflamado foi enviado a Carlos V; "com ornamentos pessoais, eles portavam inumeráveis peças de ouro e prata... sem contar as coroas e os diamantes, os cintos, pulseiras, escarcelas e couraças; nem os grampos, os brinquedos, os colares e  jóias engastaddos de pérolas e rubis; nem os espelhos ornados de prata; nem os cálices e outras taças. Vestiam-se com roupas de lã ou de Algodão, que lembravam as túnicas mouras... ou ainda com outros tecidos tingidos de vermelho, azul, amarelo, de todas as cores. Os tecidos são enfeitados 
.
          Quando o ânimo dos companheiros de Pizarro fraquejava em 1527, conta-se que ele traçou uma linha na areia com sua espada e convidou àqueles  que desejassem continuar a cruzá-la com ele; os "Treze da Fama" salvaram a expedição tal como o fizeram, em outra ocasião (em março de 1526, os 20 mil pesos de ouro investidos por Espinosa "para ganhar ou perder como dispusesse Deus". Por sua parte, e apesar da perda de vários dedos e um olho em combates com os índios, Almagro era incansável para recrutar mais homens. Contudo, quando começou a conquista do império dos incas em janeiro de 1531, os espanhóis contavam somente com 185 homens. Tiveram sorte ao enfrentar a um  império que se desmoronava pela rebelião na sua periferia e uma guerra civil no seu núcleo. Sua estratégia foi copiada do exemplo de Cortês: capturar o soberano supremo e explorar o império através dele. Ainda que pouco acertado no México, este método mostrou-se mais útil em Tahuantinsuyu, que 3era muito mais parecido a um Estado unitário com efetivos centros de controle. 
            O estado de guerra civil permitiu a Pizarro estabelecer uma base na costa antes de aventurar-se em direção ao interior para enfrentar o governador do império. Sua própria rota seguiu o Caminho do Inca: um destacamento guiado por seu irmão subiu o campo até o alto caminho por Huancabanba. Quando se encontraram com Atahualpa para conferenciar em Cajamarca, em novembro de 1532, os espanhóis confiaram no fator surpresa e em suas armas de aço para superar a marcante desigualdade de forças de 15 para 1, capturá-lo e assim dissuadir os numerosos exércitos que este ainda comandava nos arredores. Pouco depois, os mesmos homens de  Atahualpa derrotaram e assassinaram seu meio-irmão Huáscar, em vingança pelo apoio que este último dera aos espanhóis. 
               Para liberar o inca cativo, Pizarro exigiu que um aposento do palácio fosse abarrotado com ouro, até a altura de nove pés, o que conseguiu. De todo o território começou a chegar o precioso metal para salvar Atahualpa. 
               Aqui Pizarro mostra sua deslealdade e falta de caráter.   Da mesma maneira que muitos sequestradores, ele apoderou-se do ouro e matou o refém aproveitando-se da confusão em Tahuantinsuyu. Sua intenção era capturar Cuzco, a principal cidade do Império Inca no sul, onde pretendia estabelecer um governo títere. Coube aos que chegaram depois da conquista - Sebastião, Diego de Almagro e Pedro Alvarado - disputar a honra de capturar a "capital"nortista de Quito. Almagro e Benalcázar mantiveram relações bastante fraternas e se uniram para livrar-se de Alvarado, pagando-lhe 120 mil ducados de ouro. O tesouro do Peru já estava começando a render dividendos. 
            Enalcázar era um homem de origem similar à de Almagro e Pizarro; chegou às Índias como um pobre fugitivo de um feudo familiar e, depois de prestar serviços a Pedrarias Dávila, conseguiu obter um barco e recrutou trinta homens para ajudar os conquistadores do Peru. Contribuiu para a história das explorações mais do que qualquer outro capitão, enviando grupos de reconhecimento em todas as direções. Uma vez assegurada a posição espanhola em Quito, empreendeu uma importante expedição por conta própria em direção às terras colombianas.
             O papel desempenhado por Benalcázar além dos limites do Império Inca no norte seria imitado no sul, ainda que com menos êxito, por Almagro. Chegou ao Peru sozinho depois da captura de Atahualpa e foi derrotado na conquista de Quito. Entretanto, de acordo com os termos das recompensas que a coroa espanhola dava aos conquistadores,  destinaram-lhe o governo de uma região aparentemente remota em "Nova Toledo", ao sul das comarcas incas. Estava disposto a lutar com os irmãos Pizarro por uma distribuição mais equitativa da pilhagem. No entanto, deixou-se persuadir a aventurar-se na conquista do Chile com capital fornecido pelos mencionados irmãos da pilhagem inca. Essa terra não era de todo desconhecida. O incas mantiveram reivindicações ancestrais de soberania chamando os habitantes "rebeldes". Além disso recordavam, possivelmente magnificadas, as fabulosas campanhas de Tupac Inca Yupangui, que o levaram tão ao sul como o Rio  Bío-Bío. Conheciam-se duas rotas em direção ao Chile, ambas perigosas: uma através do deserto de Atacama e outra através do altiplano desde  o Lago Titicaca. Almagro escolheu esta última porque pretendia reunir um grande exército conquistador de 12 mil índios. As proporções da expedição refletiam sua fantasia de conquistar um segundo Peru e não a realidade do inóspito terreno que devia cruzar sem provisões. Contudo, ao chegar a terrar férteis no Vale do Aconcágua, estabeleceu a viabilidade de uma futura expedição. 
           Almagro regressou ao Peru para iniciar uma série de destrutivas guerras entre seus seguidores e os de Pizarro, que conduz\iram à morte de ambos os protagonistas. Seus sucessores no sul foram homens de estirpe que deram um cunho curiosamente aristocrático à conquista e colonização da província mais remota do Império espanhol  na América. O primeiro foi Pedro de Valdivia, designado pela coroa como porta-estandarte de Pizarro. A morte de  Almagro proporcionou a Vadivia a oportunidade de solicitar aos monarcas os direitos de uma conquista própria. Em 1540 deu mostras de talento, organização e liderança de alto nível. Conduziu uma força de 150 espanhóis e 3 mil índios pela rota de regresso de Almagro através do deserto de Atacama e evitou i desastre obtendo do mar algumas provisões. Em 1544 retornou ao Peru, onde viu-se envolvido em guerras civis; entretanto, os 80 mil pesos de ouro que levou consigo permitiu-lhe retornar ao Chile com um grande número de novos recrutas.  Em sua segunda expedição atravessou o Rio Bío-Bío, o suposto limite da exploração inca, e se entregou plenamente à pacificação dos araucanos, índios indomáveis do sul do Chile, o que lhe custou a vida em 1554.  
                Nos anais da época, as rotas dos conquistadores em direção ao Peru e as expedições ao interior estão descritas de forma imprecisa: a de Andagoya é absolutamente baseada em conjeturas, as de Pizarro, Almagro, Benalcázar e Alvarado são um pouco menos, salvo aqueles trechos onde seguiram os caminhos conhecidos pelos incas.
               A desventura de Gonzalo Pizarro no Vale de Napo desalentaram os espanhóis a seguir explorando os vales existentes a oeste até a década de 1560. 
           Após sofrer privações durante três anos de viagens preparatórias, Francisco Pizarro em sua última expedição de 1531 a tão esperada conquista do Império Inca. Apoiado por um exército de somente 85 homens e 37 cavalos, travou contra os incas a batalha de Cajamarca, que lhe valeu a posse do império. Em 1535, Pizarro fundou a Cidade dos Reis, atual Lima, como capital do império conquistado. 
              O uso de cavalo em terrenos montanhosos impressionou extraordinariamente os índios. 






quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A CIVILIZAÇÃO MAIA





          Muitos estudiosos acreditam que a história Maia começou há milhares de anos, quando povos provavelmente vindos da Ásia, pelo estreito de Bering (estreito que separa a Ásia da América), ocuparam a América do Norte e a América central. De acordo com essa teoria, alguns autores falam em 10 mil anos, outros em até 78 mil anos. Mais ainda há quem defenda que os maias, assim como os Astecas, ascendiam dos Toltecas. Portanto é um assunto ainda inconcluído e bastante controverso. Entre essas e outras possibilidades, estudos realizados na língua Maia concluíram que, ao redor de 2.500 a.C., havia um povo proto-maia, que habitava a região de Huehuetenango, na Guatemala. Contudo, é certo que a civilização Maia começou a deixar indicações de sua presença há mais de dois mil anos, época em que se supõe que eles eram nômades que viviam em grupos, deslocando-se em busca de caça. Isso quer dizer que os Maias evoluíram de um povo nômade que vivia da caça e passaram a praticar a agricultura, organizaram centros urbanos que evoluíram para grandes cidades, estudaram a astronomia, estabeleceram dois calendários, praticavam escambo com povos vizinhos,cerimoniais religiosos, além de desenvolverem a matemática e a escrita. Enfim, se tornaram uma civilização bastante complexa. Enfim, se tornaram uma civilização bastante complexa, cujo processo de desenvolvimento foi dividido por especialistas  em cinco períodos distintos: pré-clássico ou formativo, clássico, de transição, Maia-Tolteca e de absorção mexicana. 
            A sociedade Maia era organizada em clãs familiares fechados. Cada clã era integrado por linhagens de hierarquia distinta, de acordo com a distância que os separa de seu antecessor fundados que, por sua vez, não se preocupava em impor a violência sobre outros grupos para obter a autoridade. os parentes diretos do primogênito do fundador do clã ocupavam o lugar mais alto na pirâmide social. Consequentemente, os reis divinos ocupavam a cúspide da sociedade de castas, seguidos pelos sacerdotes parentes, guerreiros, artesãos, comerciantes e camponeses. 
              No período pré-clássico que se estendeu de 500 a.C. a 325 d.C., o povo Maia inicialmente se organizou em pequenos núcleos sedentários que tinham como base o cultivo do milho, do feijão e da abóbora. Em seguida, construíram centros cerimoniais que, por volta do ano 200 da era cristã, evoluíram para cidades com templos, pirâmides, palácios e mercados. Já nessa época, os Maias tinham desenvolvido um sistema de escrita hieroglífica, um calendário e uma astronomia altamente sofisticada, também já sabiam fazer papel, a partir da casca de ficus e,com ele, ainda produziram livros. Artisticamente, as estátuas antropomorfas ( por definição, humanas), feitas em barro ou em outros materiais, destacavam traços típicos do povo. 
        A partir de 325 a.C. até o ano 925 d.C. estabeleceu-se o período clássico, no qual, cessaram as influências externas e os Maias se firmaram como um povo. Nesse período, surgiram as formas tipicamente Maias na arquitetura, como o arco corbelado; o registro de datas históricas com o uso de hieróglifos em florescente (625 d.C. a 800 d.C.); e, os grandes avanços na matemática, na astronomia, na escrita e nas artes. Em seu auge, a civilização Maia chegou a ter mais de quarenta cidades e sua população, provavelmente, alcançou dois milhões de habitantes, a maioria dos quais ocupava as planícies da região onde hoje é a Guatemala. Suas principais cidades eram Tikal, Uaxactún, Copán, Bonampak, Palenque e Rio Bec.  Mas enquanto as classes altas viviam em bairros próximos a elas, o povo disperso em aldeias dedicadas à agricultura, somente se deslocava até os núcleos urbanos para celebrar rituais religiosos ou fazer negócios. 
           No final do século IV, com a expansão territorial empreendida para oeste e sudeste, surgiram os centros populacionais de Palenque, Piedras Negras e Copán. Impulsionados, provavelmente, pelo aumento populacional que resultou de um período de excedentes agrícolas, os Maias prosseguiram rumo ao norte, até contornarem toda a península de Yucatán. Na segunda metade do século VIII, ocorreu o apogeu cultural como indicam as ruínas dos templos de Palenque, Tikal e Copán, as numerosas estelas com relevos hieroglíficos e a rica cerâmica policromada e figurativa. Acredita-se que nesse período as cidades-estado Maias formavam uma espécie de federação de caráter teocrático, que se mantinha estritamente hierarquizada em diferentes classes sociais. 
            Quase no final do século VII, enquanto os centros cerimoniais iam sendo abandonados misteriosamente, a cultura Maia também, entrou em decadência. Entre os estudiosos há muitas hipóteses que tentam explicar essa mudança de rumos no chamado período de transição (925 d.C), que vão desde uma possível catástrofe, uma invasão inesperada, uma epidemia etc. No entanto, há quem defenda uma revolta dos camponeses contra os sacerdotes e até o empobrecimento do solo, como os motivos plausíveis que levaram os Maias a abandonarem os núcleos urbanos e seus arredores para se instalarem ao norte de Yucatan, onde recomeçou a reorganização do estado que deu origem a um novo império.
             No fim do Período Clássico, a sociedade se tornou ainda mais estratificada e as relações de parentesco passaram a se limitar ao interior de cada casta. Cada cidade-estado tinha sua autoridade máxima, de caráter hereditário para garantir a continuidade e a hegemonia das linhagens principais.  Em 1566, o bispo de Mérida, Frei Diego de Landa descreveu a organização social  Maia em seu livro "Relação das Coisas de Yucatan". De acordo com essas informações, a nobreza Almehenoob, composta pelos sacerdotes, governantes, chefes guerreiros e comerciantes, ficava no topo da pirâmide e sua casta, integrada pela nobreza hereditária, controlava os principais cargos administrativos e militares. Mas no momento de subir de posto, o candidato a chefe supremo do povo tinha que fazer por merecer, mostrando méritos e aptidões durante um exame consistente que incluía decifrar enigmas e interpretar expressões figurativas denominadas de "linguagem de Zuyúa". 
            Os candidatos que fracassavam  tinham que estar dispostos a morrer, conforme reza o livro de Chilam Balam. "Os chefes de aldeia são castigados pela noite porque não sabiam compreender... Por isso são enforcados e também por isso cortam-lhe as pontas das línguas e arrancam-lhes os olhos". No entanto, se o aspirante fosse eleito, ele era tatuado com pictogramas na garganta, no pé e na mão. Em seguida, no seio da nobreza, surgia o Halach unic, "o verdadeiro homem", um intermediário entre os parentes superiores, considerados divinos, e os parentes  das linhagens inferiores. A partir de então, ele começa a governar tanto com a ajuda  de seus parentes diretos quanto com um conselho de notáveis, formado pelos principais chefes e sacerdotes. Também designava entre membros da nobreza e parentes de segunda linha dos reis, os chefes de cada aldeia para desempenhar funções civis, militares e religiosas. Mas como todos cumpriam distintas funções, os bataboob, por exemplo, se dedicavam à recepção dos tributos, à administração da justiça, ao ofício da escrita e a oficialização dos sacerdotes. Nos degraus mais baixos, mas sempre no interior das classes superiores, os ha cuch coboob controlavam o trabalho dos camponeses  e as castas inferiores. Os ha holpop eram delegados políticos-religiosos responsáveis pela organização de cerimônias e a custódia dos instrumentos musicais. Os tupiles eram oficinas reais e chefes administrativos, que tinham a responsabilidade  de impor a ordem no interior das cidades. Dentre todos esses cargos, apenas o do nacom (suprema autoridade militar) se estabelecia por eleição a cada três anos. Além de todos os dignitários, a nobreza ainda incluía os sacerdotes guerreiros e o comerciantes.  
          Entre eles, grupo sacerdotal, concentrava o maior poder porque, além da autoridade religiosa em mãos todo o conhecimento científico que fundamentava a vida da comunidade. Dentro desse grupo, o sumo sacerdote, que se chamava ahau tan (senhor serpente), controlava os rituais e as ciências; escrevia os códices, tanto religiosos como históricos; administrava os templos; e, ainda era conselheiro do Hulach uinic.  Os sacerdotes menores, que eram denominados como el ahkin, acumulavam várias funções. Como responsáveis por controlar, preservar e transmitir os conhecimentos, eles dominavam o sistema da escrita, a produção e a interpretação da doutrina e a organização de rituais e sacrifícios; pronunciavam discursos baseados nos códices; realizavam cálculos astronômicos; monitoravam o calendário e a passagem das estações etc. Ainda em cada clã, as linhagens mais distantes do primogênito do ancestral fundador formavam o grupo de vassalos. Considerado como "gente inferior" pelo rígido sistema de castas, eles que deviam tributo e obediência às linhagens superiores, tinham que residir em territórios fixos associados ao nome de sua linhagem. 
          Conforme a hierarquia estabelecida, logo abaixo da nobreza, havia o grupo chamado de chembal unicoob que se compunha por artesãos e comerciantes. Dentro desse mesmo grupo, mas em escala inferior, se situavam os camponeses,cujas linhagens se fixavam fora ou na periferia das cidades. A eles também cabia a responsabilidade de pagar tributos, trabalhar nas construções monumentais e partilhar das atividades cerimoniais do centro urbano. Por fim, o último escalão social era ocupado pelos escravos ou ppentac-ob, em sua maioria, cativos de guerra provenientes de outras cidades e povos, aos quais, se somavam os delinquentes sem linhagem, que pertenciam ao grupo de "gente inferior".  Normalmente, eles haviam sido vendidos para realizar tarefas servis, mas com frequência eram oferecidos nos rituais de sangue. 
           A mulher Maia, na maior parte  das vezes, seu papel na sociedade  se limitava apenas à reprodução. Além disso, como entre os Maias não havia a obrigatoriedade de contrair matrimônio com a mesma linhagem, as jovens da elite eram trocadas por mulheres de outras cidades, com a finalidade de gerar redes de parentesco em todas as regiões da civilização. Somente nas cidades de Palenque e Tikal, caso a linha de descendência masculina fosse interrompida, elas eram admitidas como governantes. Mesmo assim, as normas morais eram extremamente rígidas para todas elas. O adultério feminino, por exemplo, era proibido, enquanto que, com algumas exceções, a poligamia masculina era admitida. O divórcio era aceito, no entanto, se uma mulher traísse seu marido, ela era morta por apedrejamento. Mas o homem ainda tinha o privilégio de devolvera mulher, durante o primeiro ano de casamento, caso se sentisse insatisfeito. Entre os jovens, a chegada da puberdade era celebrada com um ritual, durante o qual eram retirados os acessórios simbólicos da virgindade dos adolescentes; uma conta branca na cabeça dos homens e uma conha na cintura das mulheres. Quando casais se formavam, os pais dos homens recorriam a um adivinho para estudos astrais e predições sobre o futuro dos jovens. Mas se houvesse incompatibilidades no significado dos nomes dos mesmos, eles rejeitavam as mulheres. Caso contrário, pagavam um dote e assumiam uma série de compromissos para garantir o sustento que o filho daria aos seus sogros no futuro.
           A partir do ano 925 d.C. até 1.200 d.C., a civilização Maia passou a viver o período Maia-Tolteca. Nessa época de grande esplendor, apesar da forte influência da cultura tolteca, que chewgou do centro do México, trazendo consigo o mito de Quetzalcóate (Serpente Emplumada), os conhecimentos astronômicos dos Maias se consolidaram a ponto de constituírem o mais precioso calendário existente. Paralelamente desenvolveram uma sistema numérico próprio, inclusive com o zero, sem o qual não era possível o avanço científico. Em Chichén Itzá, por exemplo, a influência tolteca é muito forte,  tanto que a principal pirâmide, chamada El Castillo, que ocupa atualmente a região central das ruínas, foi construída pelos toltecas. 
            A civilização Maia acreditava que o Outro Mundo resguardava os mistérios da vida e o destino dos seres humanos. Eles enfatizavam a crença de que o Outro mundo resguardava os segredos do cosmos e do transcurso do tempo, os mistérios da vida e o destino dos seres humanos. 
             Sua religião era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Contudo, falta-nos fontes dignas de crédito sobre sua religião primitiva. Os estudiosos acreditam que adoravam as forças da natureza, que influíam na vida dos homens: o sol, a lua, a chuva, o raio etc. O sucessivo progresso da crença religiosa também não está bem positivado. Ao que parece viviam num universo de magias, governadas por uma infinidade de deuses: o céu, a luz, as estrelas. Itzamná era o dragão celeste venerado pelos sacerdotes e pelos nobres. Já o povo em geral preferia os deuses mais próximos de sua vida cotidiana. Acreditavam que era necessário sacrificar seres humanos para garantir a sobrevivência, tanto dos deuses como também das pessoas. Na sua crença essa forma de sacrifício enviaria energia humana até os deuses e, em troca, seriam recompensados com o poder divino. Geralmente os escolhidos para o sacrifício eram os prisioneiros, escravos de guerra e crianças. 
              Entre os pesquisadores da religião Maia há fortes polêmicas sobre as divindades, porque as informações disponíveis não permitem individualizar com precisão os distintos deuses do Período Clássico, suas origens e suas funções. Se a cerâmica policroma, por exemplo, retrata mitos cosmogônicos e descreve o mundo subterrâneo, as esculturas dos deuses se confundem com as cenas de adoração aos governantes. Mas nos templos  de Uaxactún e Palenque é possível reconhecer esculturas dos deu8ses Kinich Ahau ou Kukulkán, Ixchel, Chac e Kauil. Além deles destacam-se  Itzamaná, inventor da escrita, senhor dos céus, do dia e da noite; e Hunab-Ku que era irrepresentável e intocável, já que dele provinha todas as coisas materiais.
             A magia, a adivinhação e as profecias também faziam parte da religiosidade Maia. Para se comunicar com os mortos, conhecer suas opiniões, prognósticos e anseios em relação aos vivos e até o próprio destino dos homens, eles desenvolveram a técnica de necromancia (do grego nekros = morte mais manteia = adivinhação; é a arte de evocar as almas dos mortos para obter revelações). Os reis Maias, de modo geral , também acreditavam  que magias e profecias, por exemplo, se cumpriam e que toda a tentativa de fugir da própria sorte pré-determinada, levava ao fracasso; acreditavam que, ao se verem na superfície polida dos espelhos mágicos de obsidiana, consumindo drogas alucinógenas, ingressando nas covas ou nos templos-montanha, conseguiam se comunicar com seus ancestrais. 
             No período do Novo Império, os Maias adoravam, como divindade principal, Itzamna, que viam personificação da luz, do sol, da sabedoria. Ao custo deste deus era praticamente dedicada  a cidade de Itzamna, no Yucatan. Outras divindades importantes eram Cucullcã, "serpente recoberta de plumas", que se identifica com Quatzalcoatl, Ahpuch, deus da morte, e a deusa Ixchel, esposa de Itzamna. Os Maias acreditavam numa vida ultra-terrena.  
          O culto público compreendia numerosas cerimônias, várias e complexas, entre as quais havia a confissão dosa pecados.
               Os relatos mais minuciosos sobre os ritos de sangue provêm do Período Pós-Clássico, a cena da extração do coração de um guerreiro para oferecê-lo aos deuses,  Os jovens guerreiros pertencentes às elites inimigas eram as presas mais cobiçadas. Quando um governante,ou um chefe principal, era capturado, era reservado para ser decapitado durante uma cerimônia especial. Os métodos de sacrifício eram diversos e incluíam esquartejamento, realizado em ocasiões durante o jogo de bola. 
       O templo dos Jagures e dos Guerreiros em Chichén Itzá foram âmbitos privilegiados para a prática dos sacrifícios humanos, Historiadores espanhóis descrevem o equipamento dos sacerdotes, resina de copal para utilizar incenso, pintura negra e facas de sacrifício. Para os Maias, os ritos eram imprescindíveis para garantir o funcionamento do universo, os acontecimentos do tempo, a passagem das estações, o crescimento do milho, e a vida dos seres humanos. 
.
      As principais cultura  mesoamericanas  que se seguiram à maia foram a tolteca e a asteca. Os toltecas, um povo militarista do norte que estabeleceu sua capital  em Tula, foram capazes de fazer coexistir a vida urbana dos povos que conquistaram em elementos de sua própria cultura tradicional. No centro religioso maia de Chichén Itzá, em Yucatán, ergueram um enorme recinto  cerimonial com uma pirâmide em degraus e um poço  sagrado dentro do qual eram jogadas oferendas, como ouro, jade, incenso e seres humanos. Do ponto de vista artístico, os toltecas eram menos sofisticados do que seus antepassados maias; os monumentais suportes do telhado de um dos templos que sobrevivem em Tula refletem de forma clara a natureza militarista e a religião  sanguinária destes povos construtores de impérios. 
         Os sacrifícios sanguinários foram um aspecto importante da atividade religiosa na Mesoamérica. Tais cerimônias eram realizadas no cume dos templos-pirâmides, empregando facas cerimoniais. Os astecas acreditavam que para a continuidade da sociedade humana e a Criação atual (quinta) era necessário alimentar o deus Sol e a Terra com sangue e corações humanos. A guerra eras necessária para proporcionar o abastecimento de vítimas necessárias aos sacrifícios. Numa única comemoração de quatro dias em Tenochtitlán  foram mortos 20 mil prisioneiros. 

PARA LER DESDE O INÍCIO 
clique no link abaixo



segunda-feira, 2 de novembro de 2020

O POVO ASTECA E O MEXICANO



               Com a conquista do México e do Peru pelos espanhóis, os dois principais berços da civilização aborígene americana caíram nas mãos dos espanhóis. No entanto, ao norte, civilizações americanas menos desenvolvidas sobreviveram vários séculos no sudoeste dos estados Unidos. Próximo a 1200 d.C., os povos hohokans de Arizona do Suil e Sonora do Norte moravam em aldeias agrícolas cujos campos possuíam sistemas de irrigação. Foram construídos canais  de até 16 quilômetros de comprimento nesta paisagem desértica,  e estes sistemas de irrigação alimentados por rios permitiam obter duas colheitas  anuais. As influências mexicanas eram evidentes. As escavações nos assentamentos de Snaketown e Publo Grande tem revelado canchas para jogo de bola e inclusive bolas de borracha elaboradas co latex importado do México, onde também se Obtinha sinos de cobre fabricados com o método de fundição chamado "cera perdida". 
             Em direção ao leste dos hohokans, no Novo México e Arizona Ocidental, desenvolvia-se outro grupo, os mogollons, com casas amuralhadas de pedra e habitações cerimoniais semi-subterrâneas ou kivas. Novamente os contatos com o México são evidentes. De fato, o povo de Casas Grandes, ao sul da área mogollon - com aproximadamente 2.200 habitantes -, pode ter sido0 fundado por mexicanos como um centro comercial e administrativo. 
            Os vestígios mais  extraordinários da civilização na América do Norte pertencem a um terceiro grupo, os anasazis, estabelecidos ao norte dos mogollons  e hohokans. Aop redor de 1.100 d.C., os anasazis abandonaram suas moradias no vale,construídas nos níveis baixos do solo, e se instalaram  em aldeias espetacularmente bem localizadas, em frente aos cânions que são característicos da região. Nestes lugares, os anasazis moravam em construções de vários andares protegidos por torres de observação. O mais famoso deste assentamentos, Pueblo Bonito, no desfiladeiro Chaco, alojava uma população aproximada de 1.200 pessoas em 800 habitações distribuídas dentro das muralhas exteriores em forma de D, de quatro andares de altura. O desfiladeiro era cruzado por mais de 400 quilômetros de caminhos.  Pode ter sido também um importante centro cerimonial e comercial. 
           A deterioração do clima trouxe a decadência e o abandono dos povos indígenas do sudoeste nos séculos XIV e XV, porém, suas ruínas sobrevivem até hoje como um dos monumentos pré-históricos mais surpreendentes da América do Norte. 
.
              Lá pelo ano 1000, o povo asteca dá seus primeiros passos pelo território do atual México. Para chegar ao auge do seu esplendor, o império asteca levou 4 séculos. Dois anos apenas foram suficientes para que desaparecesse. Os astecas e os povos submetidos ao seu domínio não resistiram à invasão espanhola. A organização, a disciplina e a indiscutível crueldade do exército liderado por Fernão Cortez levaram-nos à destruição. Os invasores brancos dispunham de cavalos e armas de aço. Os astecas desconheciam a raça branca, temiam o cavalo e ignoravam as armas metálicas; em pouco tempo os espanhóis extinguiram a civilização asteca, uma das mais ricas da história da humanidade. 
           O desembarque de Cortez na costa mexicana deu-se em 1519. Em 1521, os espanhóis entraram na atual Cidade do México e executaram o último imperador asteca - Cuauhtémoc. Por vingança aos astecas que os dominavam, e na esperança de sobreviverem, os Tlaxcalas e alguns outros povos passaram a colaborar com os invasores vitoriosos. Somente o povo asteca, também denominado mexica, combateu ainda por algum tempo, numa desesperada resistência. Embora exterminado, foi perpetuado no nome do país. 
           A façanha de Cortez, eliminando uma nação inteira em prazo tão curto, resultou em sua nomeação para cargos de Governador, Capitão Geral e Juiz Mor da terra conquistada, que recebeu o nome de Nova Espanha, para simbolizar a prolongação da metrópole no além-mar. Dispondo, então, de poder ilimitado, Cortez fez várias doações de terras aos seus companheiros de expedição - as chamadas "encomiendas" - que lhes davam direitos também sobre os indígenas remanescentes dos massacres. Era, em suma, a instituição da escravidão dos povos vencidos. Em troca, os donatários comprometiam-se a converter, educar  e proteger os Índios. Na verdade, não conseguiam convertê-los, nunca pretenderam educá-los e jamais os protegeram. 
              Nos primeiros anos, a Espanha governou a colônia através de um tribunal de 5 membros: a "Audiência Real. Em 1533, a Nova Espanha foi transformada em vice-reinado. o qual durou até 1821. Nesse período governaram sucessivamente 61  vice-reis. Nomeados pessoalmente pelos reis da Espanha, a quem deviam obediência direta, eles exerciam autoridade absoluta e total.
            Na fase final do regime de vice-reinado, por volta de 1800, havia na Nova Espanha 870 mil "crioulos" (filhos de espanhóis, nascidos na colônia). A população indígena atingia então 3 milhões. O número de negros (importados como escravos a partir do século XVI e mestiços andava pela casa dos 2 milhões. Toda essa gente - perto de 6 milhões -vivia submetida a 15 mil "guachupines" (como eram chamados  os espanhóis "autênticos"), que disputavam de todo o poder político e administrativo. 
           Um ano após a tomada do México por Cortez, os franciscanos chegaram à colônia para catequizar os índios. Com o tempo, a Igreja católica monopolizou o ensino e a educação. Em 1535, instalou a primeira impressora das Américas e fundou, em 1553, a Universidade  do México. Quando o vice-reinado se tornou independente, em 1821, só 30 mil dos seus 6 milhões de habitantes sabiam ler e escrever
             Explorar o trabalho de índios e negros revelou-se um grande negócio para os "guachupines", que prosperaram a olhos vistos. Seu poderio econômico, somado á força militar de que dispunham, levou-os a se lançarem à expansão das fronteiras da colônia. Expedições de "adelantados" (que eram uma espécie de bandeirantes) subiram pela costa do Pacífico até onde é hoje o estado de Oregon, nos estados Unidos. Por outro lado, explorando a costa atlântica, "adelantados" incorporaram à colônia os territórios de Luisiana e Flórida, Anexaram ainda a área correspondente aos atuais estados americanos da Califórnia, Nevada, Arizona, Colorado, Texas e Novo México. 
         Durante muito tempo, o domínio dos "guachupines" foi aceito sem discussão e a situação política e econômica da Nova Espanha permaneceu inalterada. Mas o lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" lançado pela Revolução Francesa, começou a correr mundo. Um sopro de renovação surgiu por toda parte. 
          Quando, em 1807, Napoleão invadiu a Espanha, depôs o rei e passou a coroa ao seu irmão José, as coisas mudaram também na Nova Espanha. Os "guachupines", que já exerciam o poder, acharam que era a hora de ampliá-lo e desejaram libertar-se da metrópole. Os "crioulos", que não participavam da política, trataram de reivindicar igualdade. E o clero usou da fraternidade para melhorar a situação dos índios e mestiços. 
            Em 1810, o padre Miguel Hidalgo reuniu indígenas e mestiços num movimento revoltoso que mobilizou 80 mil homens. Mas os "guachupines"  agiram a tempo e Hidalgo foi executado. 
              Em 6 de novembro de  1813 outro sacerdote - José Maria Morelos - liderou uma nova revolta e reuniu um congresso que declarou a independência do México. Novamente os "guachupines" reagiram  e Morelos também foi executado. 
             A revolução prossegui, mas ganhou novo espírito. Cientes de que já dispunham de uma força respeitável, os índios e mestiços decidiram fazê-la por conta própria. Vários líderes se sucederam e, para derrotar um deles - Vicente Guerero -, o vice-rei enviou Augustin de Itúrbie, um oficial "crioulo". Dessa forma, "guachupines" e "crioulos"se aliavam contra a revolta dos mestiços e índios. Mas Itúbide entrou em acordo com os revoltosos e implantou uma monarquia independente, proclamando-se imperador em 1822. Seu império, entretanto, durou pouco. Os "guachupines", inconformados com a perda do poder, mobilizaram-se contra Itúbide,  que acabou sendo executado. 
          Instalado o regime presidencialista - que ali constituiu uma fórmula imaginada pelos "guachupines" para exercerem o poder através de terceiros e Guadalupe Victória foi eleito primeiro presidente mexicano em 1824. Vicente Guerrero foi o segundo. Menos maleável que Victória, entrou em guerra aberta contra os "guachupines", lutando contra a Espanha, que tentava recuperar a colônia perdida. Deposto por seu vice-presidente, Guerrero foi executado em 1831. 
           Os "crioulos" constituíam uma classe  média dedicada ao comércio e à indústria. Assim, não viam com bons olhos a escravidão, mas os escravos consomem pouco e não compram nada. 
          Quando os "crioulos" conseguiram abolir  a escravidão, em 1835, os fazendeiros escravista texanos revoltaram-se  contra o governo e pediram a anexação do Texas aos Estados Unidos. O Congresso americano hesitou em incorporar mais um Estado escravista à União, que já tinha pela frente o problema das dissensões entre índios e nortistas, das quais resultaria a Guerra de Secessão 25 anos depois. Então, o Texas lutou contra o exército mexicano e, vitorioso, proclamou a sua independência em 1836. A tensão que se criou  entre México e estados Unidos resultou  em guerra. Derrotado, o México perdeu 1.338.000 Km² de território. 
              O fracasso militar e a instabilidade  política que se seguiu motivaram repedidas revoltas. O patriota Benito Juarez chefiou uma delas. Sua vitória resultou na abolição dos privilégios militares e políticos, estabelecimento do casamento civil, supressão das ordens religiosas e nacionalização das suas propriedades. Quando Juarez, porém, suspendeu o pagamento da dívida externa do México, seus principais credores - Inglaterra, Espanha e França p trataram de intervir. Além das razões econômicas, interessava-lhes obter uma área de influência junto à fronteira americana. 
          Após sucessivas batalhas, o exército francês de napoleão II derrubou Juarez. Uma junta de monarquistas mexicanos - remanescentes dos antigos "guachupines" - restabeleceu o império e coroou Maximiliano de Absburgo, enviado por Napoleão III. No entanto, quando as tropas francesas se afastaram do <México, Juarez promoveu um levante que derrubou o imperador em 1867. Maximiliano foi executado. 
         Governos instáveis e muita intranquilidade facilitaram a Porfírio Dias o estabelecimento de uma ditadura em 1876. Num governo longo como o seu, que durou 34 anos, alguma coisa de proveitoso teria forçosamente que ser feita, e foi o que aconteceu. O México surgiu como nação no panorama internacional. Mas Dias expropriou as terras comunais,  as massas rurais foram reduzidas à miséria e os grandes latifundiários se tornaram ainda maiores. Os protestos populares sofreram uma repressão violenta e cruel. E a insatisfação cresceu até explodir numa rebelião chefiada  por Francisco Modero em 1910.  reivindicando uma distribuição mais justa das terras, o movimento teve o apoio de dois chefes revolucionários que se tornaram famosos: Pancho Villa e Emiliano Zapata. 
         A revolução de Madero saiu vitoriosa, mas seu líder durou pouco. Um golpe  do General Victoriano Huerta o derrubou, e Madero foi fuzilado. 
           Seu sucessor foi o próprio General  Huerta. Por pouco tempo, porém. Ao cair seu governo, também o executaram. 
          Venustiano Carranza, que assumiu o poder apoiado por Villa e Zapata, prometera diversas reformas, sobretudo no tocante à distribuição de terras. Uma vez no governo, entretanto, pouco realizou de concreto, além de promulgar a Constituição em 1917, e o Código Trabalhista, muito avançado para a época. Enfraquecido por crises, seu governo se esfacelou em 1920, e Carranza foi executado.  
          Coube a Obregón, que o sucedeu, realizar algumas das reformas prometidas por Carranza. Obregón adotou novos critérios para a distribuição das terras e disciplinou a exploração do petróleo, o que provocou muita tensão com os estados Unidos. Em seu governo, a população  rural e indígena passou a merecer atenção. Mas a oposição que se formou era forte e Obregón foi executado. 
     Em 1929, após tanto tumulto  e intranquilidade, formou-se um governo influenciado por Calles, que iniciou a reforma agrária e a aplicação das leis trabalhistas, em cumprimento às disposições da Constituição de 1917. Em 1934, Lázaro Cárdenas subiu ao poder e publicou um plano de 6 anos, que cumpriu e superou. Cárdenas expropriou e distribuiu as terras, nacionalizou as estradas de ferro, ampliou as bases do trabalhismo e reorganizou a estrutura econômica do país. A partir de governo Cárdenas, pacificado o país, iniciou-se a fase de progresso do México. 

PARA LER DESDE O IN´CIO 
clique no link abaixo